O Liberalismo e o Brasil de Hoje


"A escolha de um modelo de estruturação futura da sociedade brasileira pressupõe uma indispensável harmonia entre a organização política, o perfil econômico correspondente e o sistema social e cultural do país.
De modo geral, a estrutura do capitalismo tem sido eficiente para lidar com a liberdade formal do indivíduo e do cidadão, mas impotente para lidar com as garantias reais relacionadas com a dignidade da vida, com a igualdade de oportunidades e com a justiça social que livrem o homem dos padrões da miséria, dos riscos do desemprego e do temor pela contínua violação de seus direitos sociais.
Os regimes socialistas têm sido eficientes para lidar com as garantias reais que livrem o homem da miséria, assegurando-lhe condições mínimas de sobrevivência, no que diz respeito à garantia do emprego, do salário e até mesmo da educação e da saúde. Mas, em compensação, têm sido rigorosamente incapazes de lidar com as garantias formais, igualmente essenciais à vida humana e à liberdade, inclusive de expressão religiosa, assegurando-lhe o direito da livre crítica, da livre divergência e da realização pessoal, através da livre competição.


O CAMINHO CERTO
A circunstância de vermos surgir hoje no Brasil, com notável vigor, como ocorre na maioria das democracias do mundo ocidental, um grande interesse pelo liberalismo moderno, é a melhor prova de que estamos no caminho certo.
O liberalismo contemporâneo passa por uma fase fecunda e criativa de discussão de seus rumos e tendências. No Brasil, temos que aprofundar as reflexões, e conferir pontos de vista e ajustar propostas. Temos, enfim, que articular essas convicções, para que o país, nesta fase decisiva de sua evolução histórica, faça desfraldar os princípios liberais sobre os quais se fundou e não incorra no risco de ceder ao que Jean-François Revel chamou, com muita propriedade, de 'a tentação totalitária'."

Marco Maciel, em 1987, no seu livro
Liberalismo e Justiça Social

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