Liberalismo e a função do Estado entre nós brasileiros


“Se essa concepção é verdadeira nos países mais desenvolvidos, com muito mais rigor se aplica a nós, pois a função reservada ao Estado no Brasil, tradicional e historicamente, não é só a de promover a instauração de um regime político estável e institucionalmente forte, capaz de resistir a todos os desvios totalitários. Tão importante quanto instauração da democracia é a promoção do desenvolvimento, em que o Estado não seja o exclusivo agente, como nos modelos socialistas, nem um agente omisso e passivo, como nos regimes capitalistas.


Nos plano econômico e social, a reivindicação liberal contemporânea diz respeito à possibilidade de asseguramos a igualdade de oportunidades, relativamente às garantias do trabalho, da habitação, da educação, da saúde e dos padrões mínimos de desempenho humano, que livre o homem do temor do desemprego, da condenação a viver em condições subumanas, da ignorância e da doença. Nenhuma sociedade conseguiu atingir tais padrões, a não ser através das mudanças políticas operadas a partir da intervenção do poder do Estado, na alocação dos recursos produzidos coletivamente. Os ajustamentos na sociedade de hoje jamais se operarão, se não assegurarmos, de um lado, a possibilidade da iniciativa individual no plano econômico; e, do outro, a ação moderadora do Estado para a distribuição harmônica dos bens econômicos coletivamente produzidos.”

Marco Maciel, em 1987, no seu livro
 Liberalismo e Justiça Social

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